- Autor
- Eduardo Rezende Melo
- Orientador(a)
- Peter Pál Pelbart
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
O objetivo da dissertação é procurar delinear os contornos do que possa significar a justiça em uma nova abordagem para Nietzsche. Para isso, acompanha-se também a crítica que o filósofo faz à justiça, tal como considerada na história da filosofia, e que reclama uma investigação paralela e correlata acerca do modo como é possível se considerar a ação sem os marcos da moral judaico-cristã...O tema impôs-se sobretudo pelo relativo silêncio que a recepção da obra do filósofo alemão lhe devotou. Considerada por Heidegger como um dos temas centrais da filosofia nietzscheana, a justiça foi trabalhada por ele apenas com base em alguns aforismos póstumos e num diálogo muito estreito com suas próprias preocupações filosóficas. Outros comentadores, quando não se apegam à leitura heideggeriana, cuidam da justiça apenas com referência a uma obra ou outra de Nietzsche ou, então, dentro de uma análise sistemática de sua filosofia. Consideramos, assim, justificar-se uma matização do tema pela identificação dos vários modos como ele é tratado na filosofia nietzscheana, ganhando, com isso, uma maior amplitude de possibilidades de análise e de consideração...Optou-se, deste modo, por acompanhar o contexto em que aparecem as indicações da justiça e da ação, os temas a que se relacionam e as mudanças que sofrem nas fases do pensamento do filósofo, sempre com a hipótese presente de que, na esteira de outros conceitos, a justiça não se apresenta na filosofia nietzscheana de modo unívoco e passível de uma sistematização rigorosa. Pelo contrário, abre-se o tema a uma constante problematização, porque ele se volta às condições e aos modos de vida do homem que procura justificar-se e que só se justifica ao pôr-se à prova diante de si e do outro em uma ação que expresse este jogo dinâmico e conflitivo das interpretações em que ele se insere para afirmar-se criativamente no mundo. A justiça, por isso, envolve não apenas um lado estruturador da existência, como outro necessariamente crítico e questionador, que mantenha tragicamente viva a luta humana por si mesma.
