Voltar para Artigos
Artigos

Liberalismo e colonialismo na obra de John Locke

Javier Amadeo

Autor
Javier Amadeo
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
44 / 2
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v44i2p191-211
Páginas
191-211
Idioma
pt-BR
2025Javier Amadeo. Liberalismo e colonialismo na obra de John Locke. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 44, n. 2, p. 191-211, 2025.2

Um dos elementos centrais do surgimento da modernidade se relaciona com o processo de formação dos modernos estados-nação e este processo, com suas consequências políticas e sociais, tem sido um dos elementos centrais de reflexão teórica dos autores fundamentais do pensamento político moderno. No entanto, o surgimento e expansão do colonialismo também tiveram uma importância fundamental no desenvolvimento de ideias e conceitos teóricos modernos. Como parte da releitura do cânone deste pensamento, realizado por pesquisas recentes, um debate importante tem surgido sobre a relação entre liberalismo e colonialismo. O liberalismo tem sido associado com a linguagem dos direitos naturais e dos limites do poder. No entanto, pesquisas atuais têm problematizado o vínculo entre liberalismo e expansão colonial. Trabalhos recentes têm destacado que algumas características, como o universalismo abstrato ou uma visão sobre o fundamento dos direitos de propriedade, permitiriam entender seu vínculo com a dominação colonial ou imperial. O presente texto busca, a partir desta perspectiva, analisar e problematizar os escritos de John Locke como uma obra na qual a experiência colonial teve uma influência fundamental na elaboração de algumas de suas principais formulações teóricas.