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Dissertações

MEMÓRIA E EXÍLIO: REFLEXÕES INSPIRADAS EM BENJAMIN, ROSENZWEIG, BLANCHOT E NA TRADIÇÃO JUDAICA SOBRE TEMPO, MEMÓRIA E HISTÓRIA.

SYBIL SAFDIE DOUEK

Dissertação
Autor
SYBIL SAFDIE DOUEK
Orientador(a)
Jeanne Marie Gagnebin De Bons
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2001
2001SYBIL SAFDIE DOUEK. MEMÓRIA E EXÍLIO: REFLEXÕES INSPIRADAS EM BENJAMIN, ROSENZWEIG, BLANCHOT E NA TRADIÇÃO JUDAICA SOBRE TEMPO, MEMÓRIA E HISTÓRIA.. 2001. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Jeanne Marie Gagnebin De Bons.3

O presente trabalho tem em seu centro uma reflexão sobre a história e a memória, e particularmente, sobre a memória judaica, ou Zakhor. Inspirando-se nos escritos de Walter Benjamin, parte-se da problemática da perda da memória e da tradição no século XX, problemática que vem acompanhada de uma pergunta: teria a tradição ainda algo a ensinar ao homem do século XX?..A concepção benjaminiana da história, fruto de uma inusitada aliança entre a teologia judaica e o materialismo histórico, consiste em 'salvar' o passado, convocando-o no solo de hoje para recriá-lo e renová-lo, a partir do tempo presente, de um 'agora' que pára o fluxo contínuo do tempo, evidenciando um tempo, portanto, descontínuo e tecido de rupturas. A memória benjaminiana realiza-se no Eingedeken, na rememoração: não é retomada passiva de um passado tal como de fato aconteceu, mas é renovação e criação.A presente tese discute a idéia de possíveis ressonâncias entre tal concepção de memória e a dinâmica da memória judaica ou Zakhor. Este último é pensado através de uma de suas manifestações: a paradigmática festa judaica de Pessach, na qual se comemora a libertação dos escravos judeus e sua saída do Egito. Apoiando-se nas análises de Franz Rosenzweig acerca de Pessach, pode-se afirmar que o Zakhor contém em seu bojo uma concepção de tempo descontínuo, tempo das gerações e não dos relógios, no qual estão inscritos tanto a morte quanto o renascimento, tanto o esquecimento quanto a renovação. Memória judaica, Zakhor, que em Pessach revela sua especificidade: a de ser uma memória do exílio, pondo em evidência uma experiência fundante na e para a identidade judaica, a do exílio. A esse respeito, as reflexões de Maurice Blanchot possibilitam compreender que a memória judaica passa pelo exílio, dizendo respeito a uma palavra que se enraiza no tempo e pelo tempo, e não no solo, abrindo para uma dimensão de nomadismo e errância. A tradição judaica alia-se assim à filosofia, pemitindo uma reflexão sobre o que é memória: Pessach, rito que celebra a memória é, essencialmente, renovação e exílio.