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METAFÍSICA, EPISTEMOLOGIA E A CONDIÇÃO POLÍTICA DOS INDÍGENAS CAETÉS: A Lágrima de um Caeté de Nísia Floresta como poema republicano revolucionário

Nastassja Pugliese, Renato Matoso Brandão

Autor
Nastassja Pugliese, Renato Matoso Brandão
Revista
Sapere Aude
Edição
16 / 31
Ano
2025
DOI
10.5752/P.2177-6342.2025v16n31p50-62
Páginas
50-62
Idioma
pt
2025Nastassja Pugliese, Renato Matoso Brandão. METAFÍSICA, EPISTEMOLOGIA E A CONDIÇÃO POLÍTICA DOS INDÍGENAS CAETÉS: A Lágrima de um Caeté de Nísia Floresta como poema republicano revolucionário. Sapere Aude, v. 16, n. 31, p. 50-62, 2025.2

Este trabalho é fruto dos estudos que nos permitiram realizar a primeira tradução do poema A Lágrima de um Caeté, de Nísia Floresta, para o inglês. Levando em conta a literatura secundária sobre o poema, quase exclusivamente oriunda da crítica literária, procuramos analisar o poema de modo a deixar explícitas questões filosóficas que são por ele mobilizadas. Assim, iremos apresentar o contexto histórico do poema e depois argumentar em defesa de dois pontos centrais: primeiro, que este poema deve ser considerado um marco no desenvolvimento da obra de Nísia Floresta; segundo, que o poema deve ser tomado como um documento sobre a condição política dos indígenas Caetés que trata de pontos centrais da metafísica e epistemologia ameríndias. No que diz respeito à metafísica, temos no poema a presença do rio como fonte de memórias e a possibilidade de comunicação com espíritos na floresta. Já no que diz respeito à epistemologia, o poema traz um paradigma de conhecimento distinto do tradicional na medida em que são as entidades que aparecem em um momento de visão que revelam o melhor caminho  de ação, ao invés da investigação racional, sendo elas fundamentais para o processo de decisão.