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Dissertações

Método de Exposição e Teoria Revolucionária: considerações sobre a lógica dialética da revolução e o sentido político do livro I de """"O Capital"""" de Karl Marx

ANTÔNIO CORRÊA DE PAIVA NETO

Dissertação
Autor
ANTÔNIO CORRÊA DE PAIVA NETO
Orientador(a)
ANA MARIA SAID
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA — UFU
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012ANTÔNIO CORRÊA DE PAIVA NETO. Método de Exposição e Teoria Revolucionária: considerações sobre a lógica dialética da revolução e o sentido político do livro I de """"O Capital"""" de Karl Marx. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, MG. Orientador(a): ANA MARIA SAID.3

A presente dissertação tem como tema a configuração do método dialético no livro I de “O Capital” e, como problema fundamental, a questão pela existência de um significado político no modo de exposição da obra. Seu intuito é demonstrar que o desenvolvimento expositivo de “O Capital”, estruturado segundo o método dialético, reflete uma teoria revolucionária. Em outras palavras, uma teoria a respeito da superação do modo de produção capitalista, propiciando, ainda, uma sistematização da consciência da classe trabalhadora e, assim, a percepção da necessidade por parte dessa classe de ser o mencionado sistema econômico superado, configurando-se a obra, nesse sentido, como um instrumento político direcionado à organização revolucionária. Subdividida em três partes, a dissertação em questão trata, na primeira, do conceito “dialética” e de sua aplicação em “O Capital”; na segunda, do movimento negativo-expositivo do livro I da obra, apresentando as determinações da teoria revolucionária e o significado político do seu método expositivo; e, por fim, na terceira, de uma polêmica entre Hector Benoit e Francisco Soares Teixeira a respeito do modo de exposição da obra. Nesse percurso, em termos gerais, pode ser constatado que Marx compreende a dialética como um método que consiste em desvelar não apenas as leis que regem o funcionamento de um dado objeto, mas as leis de sua transição, sendo configurada em “O Capital” como um método expositivo cuja finalidade é não apenas desvelar as leis de funcionamento do modo capitalista de produção, mas as leis vinculadas a sua superação necessária. Refletindo o próprio modo de exposição de “O Capital”, o movimento de superação do capitalismo, Marx explicitaria que o processo revolucionário é imanente ao desenvolvimento do mencionado sistema econômico, no qual seriam formados os pressupostos objetivos e subjetivos para a constituição da sociedade comunista. Apontando, igualmente, para a independência relativa da consciência em relação à pressão das contradições do capital pela sua configuração revolucionária, Marx explicitaria, ainda, a possibilidade de a almejada revolução social ser acelerada pelo desvelamento das leis do capital, e isso, desde que as condições objetivas da revolução estejam formadas, o que possibilita a compreensão de “O Capital” e de seu modo de exposição como um instrumento político direcionado à organização da classe trabalhadora, posição reforçada, inclusive, pelo conhecimento do ímpeto revolucionário de Marx e de sua relação política com a mencionada classe. Nesse sentido, pode-se compreender a exposição que se direciona do abstrato ao concreto, ou da parte ao todo, proporcionando, nesse processo, uma compreensão adequada do modo de produção capitalista; que apresenta o caráter transitório do capital; que supera, gradualmente, as ilusões presentes na consciência dos trabalhadores; que aponta para a violência da luta de classes como o fundamento do modo de produção capitalista e para a sua superação revolucionária como a única solução para todos os problemas enfrentados pela classe trabalhadora, tal como a acirrada exploração do trabalho, o desemprego e a miséria acarretada pelas crises econômicas, como um meio intencional de despertar a consciência revolucionária da classe trabalhadora, incentivando, assim, a sua organização política.