Mito, Filosofia e Medicina na Grécia Antiga. Relações entre a poesia épica, a filosofia pré-socrática e a medicina de Hipócrates
Rodrigo Siqueira Batista
- Autor
- Rodrigo Siqueira Batista
- Orientador(a)
- Maura Iglésias
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
As origens da filosofia na Grécia têm provocado esforços para sua compreensão desde a Antigüidade. Mais recentemente, no período compreendido entre o final século XIX e a primeira metade do século XX, o debate sobre o nascimento do pensamento filosófico se intensificou sobremaneira, em especial pelo confrontamento de duas teses para a explicação do processo: (1) o milagre grego, cujo grande expoente foi J. Burnet, na qual a filosofia representaria uma ruptura com a tradição poética anterior — Homero e Hesíodo —, pressupondo um conhecimento de origem empírica; e (2) a continuidade mito-filosofia, segundo a qual ambos constituem manifestações de um mesmo Espírito. Esta última tese recebeu importantes contribuições de F. M. Cornford que, em seu livro Principium Sapientiae, descerra um consistente ataque à tese do milagre grego, apresentando a filosofia como legado do mito — e, por conseguinte, como saber dogmático e revelado —, além de contrapô-la à medicina hipocrática, esta sim descontínua em relação à narrativa mítica, por ser forjada com base na experiência e no uso dos sentidos. Neste trabalho, procurou-se compreender a amplitude da narrativa mítica — com base nos ensaios de M. Eliade e J. Campbell, principal — e, em um segundo momento, se buscar subsídios nos textos gregos — poemas de Homero e Hesíodo, fragmentos dos pré-socráticos e textos hipocráticos — para se corroborar a idéia geral defendida em Principium Sapientiae. Pôde-se identificar uma série de elementos simultaneamente presentes nos poemas e no pensamento dos pré-socráticos. Ademais, a avaliação dos escritos médicos demonstrou que o método da medicina hipocrática é marcadamente empírico, mas suas doutrinas são importante legado da filosofia nascente — sobressaindo, igualmente, um estofo dogmático —, o qual não foi devidamente considerado no ensaio de F. M. Cornford. Neste sentido, mito, filosofia e medicina gregas possuem incontestável coalizão —, o que não é supresa, uma vez que todos são genuínos fenômenos da mesma cultura.
