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NATUREZA E CONVENÇÃO NA LINGUAGEM: : ROUSSEAU LEITOR DO CRÁTILO DE PLATÃO

Lucas Mello Carvalho Ribeiro

Autor
Lucas Mello Carvalho Ribeiro
Revista
Sapere Aude
Edição
1 / 1
Ano
2023
DOI
10.5752/P.2177-6342.2023v1nesp1p220-232
Páginas
220-232
Idioma
pt
2023Lucas Mello Carvalho Ribeiro. NATUREZA E CONVENÇÃO NA LINGUAGEM: : ROUSSEAU LEITOR DO CRÁTILO DE PLATÃO. Sapere Aude, v. 1, n. 1, p. 220-232, 2023.3

Ao final do quarto capítulo do Ensaio sobre a origem das línguas, após oferecer um apanhado das características distintivas da linguagem originária, cujas gênese e natureza vinham de ser traçadas, Jean-Jacques Rousseau afirma que, se seu leitor considerasse todas as implicações das teses ali apresentadas, o Crátilo não pareceria tão ridículo. Duas proposições importantes subjazem a essa breve referência, quase sempre negligenciada pelos intérpretes do genebrino: (i) o diálogo platônico sobre a correção dos nomes era visto com ampla derrisão no dix-huitième e (ii) a teoria da linguagem avançada no Ensaio convidaria a um reexame dessa recepção. O objetivo do presente artigo é justamente esclarecer cada um desses pontos. Por que o Crátilo parecia disparatado aos philosophes? O que leva Rousseau a contestar essa percepção? Este percurso nos levará a confrontar a teoria rousseauniana da linguagem às concepções hegemônicas sobre o tema na idade clássica, com o intuito de precisar o estatuto e o alcance do referido resgate do texto platônico.