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Notas Sobre a Presença de Mead na Obra de Habermas

Luciana Aparecida de Araújo Penitente

Autor
Luciana Aparecida de Araújo Penitente
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
36 / 1
Ano
2013
DOI
10.1590/S0101-31732013000400013
Páginas
205-220
Idioma
pt
2013Luciana Aparecida de Araújo Penitente. Notas Sobre a Presença de Mead na Obra de Habermas. Trans/Form/Ação, v. 36, n. 1, p. 205-220, 2013.3

Habermas pensa a questão da individuação e da socialização a partir dos estudos de George Hebert Mead, que, na sua concepção, foi o primeiro a refletir substancialmente sobre um modelo de eu produzido socialmente. Mead oferece todo subsídio teórico para o desenvolvimento de uma teoria da evolução humana que envolve o processo de individuação e de socialização. Pelo paradigma de intercompreensão, ou seja, da relação intersubjetiva de indivíduos que se socializam por meio da comunicação e se reconhecem mutuamente, Mead permite a mudança de paradigma da consciênciade si, da autorreferência de um sujeito que age isoladamente para o indivíduo que processa trocas sociais mediante a linguagem. Portanto, um dos principais componentes da teoria de Mead, em que Habermas busca contribuição para sua Teoria da Ação Comunicativa, é o processo de constituição do "eu", sua identidade. Mead acredita ser a individuação representada como um processo que é linguisticamente mediador da socialização e da construção de uma história de vida, na qual os sujeitos são conscientes de si. É esse meio linguístico estabelecido entre os sujeitos e o meio do entendimento intrassubjetivo e histórico vital que possibilita a formação de uma identidade de sujeitos socializados. É o reconhecimento intersubjetivo e autoentendimento mediado intersubjetivamente que propicia aformação da identidade. Esse quadro conceitual será fundamental a Habermas, na sua acepção de eupós-convencional.