- Autor
- DANIEL LEITE CABRERA P. DA ROSA
- Orientador(a)
- FERNANDO AUGUSTO DA ROCHA RODRIGUES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
Kant compreende a ação moral como a única maneira de superar o amor de si natural, comum a todos os homens. Partindo da distinção entre dois sentidos do conceito de amor de si - benevolência e complacência para consigo mesmo -, tentamos determinar as condições que devem ser satisfeitas para que uma ação possa ser classificada como moralmente louvável, e, desse modo, entender a maneira como Kant chega à sua dedução metafísica do princípio supremo da moralidade na Fundamentação da Metafísica dos Costumes e na Crítica da Razão Prática. O princípio do amor de si é compreendido por Kant como a contrapartida do princípio supremo da moralidade. Isso quer dizer que, enquanto este é o princípio basilar de todas as ações dotadas de valor moral, aquele é o princípio basilar de todas as ações não dotadas de valor moral, portanto, amorais (moralmente neutras) ou imorais (moralmente condenáveis). Isto significa que todas as máximas adotadas por dever baseiam-se no princípio “agir de tal modo que possa querer que a máxima de minha ação se torne uma lei universal” e todas as máximas que não são adotadas por dever baseiam-se no princípio “buscar a minha felicidade”. Isto significa ainda que, enquanto o fundamento determinante de uma ação por dever é a forma da universalidade, o fundamento determinante de uma ação conforme ao dever, mas não por dever, ou de uma ação contrária ao dever, é sempre a felicidade própria. O princípio do amor de si não é, no entanto, o princípio da imoralidade. Todos buscam a felicidade e esta busca é até mesmo um dever imperfeito, já que um homem infeliz é mais propenso a agir contra o dever. Mas a felicidade é algo que buscamos por natureza e, por isso, não faria sentido qualificar como moralmente louvável a máxima que a toma por fundamento determinante. Mais que isso, sempre que nossa conduta é moralmente reprovável, nosso erro é considerar a nossa felicidade mais importante que o dever. E é neste sentido que ela deve ser considerada a contrapartida do dever. Se a felicidade satisfaz as nossas aspirações sensíveis, o dever as supera e permite que, em alguma medida, nos aproximemos da perfeição divina.
