O centauro nietzschiano. Filologia, arte e filosofia e O nascimento da tragédia.
Ana Cláudia Gama Barreto
- Autor
- Ana Cláudia Gama Barreto
- Orientador(a)
- ROBERTO CABRAL DE MELO MACHADO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Esta dissertação tem como objetivo esclarecer como O nascimento da tragédia entrelaça aspectos da ciência filológica, de considerações sobre a arte e a antiguidade gregas e da filosofia schopenhaueriana. Procuro mostrar que a crítica que Nietzsche faz a filologia está articulada a uma crítica a cultura moderna e ao otimismo do homem teórico. A seguir relaciono esta crítica ao pensamento de Schopenhauer, mostrando como Nietzsche serve-se da filosofia do pessimismo para fundamentar sua proposta de uma filologia clássica que considere os gregos não apenas do ponto de vista da historiografia científica e do método filológico, mas que busque entende-los a partir de uma consideração filosófica e estética, e como o otimismo teórico é contraposto ao pessimismo schopenhaueriano. O nascimento da tragédia seria então a tentativa nietzschiana de efetivar seu projeto filológico tomando como tema específico a arte trágico grega, e nesse sentido tento traçar também as linhas comuns entre determinados filólogos e pensadores alemães. Por fim, busco mostrar que se a pergunta de Schopenhauer pelo valor da vida perpassa todo o livro, a resposta nietzschiana a ela funciona como uma subversão do pensamento schopenhaueriano, na medida em que aponta para a necessidade de afirmação da vida inclusive por causa de sua crueldade e ausência de sentido.
