O Corpo em Nietzsche a partir de uma leitura da Genealogia da Moral
VERÔNICA PACHECO DE OLIVEIRA AZEREDO
- Autor
- VERÔNICA PACHECO DE OLIVEIRA AZEREDO
- Orientador(a)
- Olímpio José Pimenta Neto
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO — UFOP
- Programa
- ESTÉTICA E FILOSOFIA DA ARTE
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
A presente dissertação tem como objetivo analisar a perspectiva nietzschiana sobre.o corpo, para compreender a relação do homem contemporâneo com seu corpo, buscando.esclarecer o entendimento estético do corpo hoje. A pesquisa tem como ponto de partida a.Genealogia da Moral. Inicialmente, é apresentada a reflexão socrático-platônico, que.perpassa o pensamento ocidental e se fundamenta nas concepções dualistas, que.privilegiam a alma e desvaloriza o corpo, que é considerado como parte inferior. Em um.segundo momento, investiga-se a interpretação de Nietzsche acerca do corpo, que se.contrapõe a essa interpretação, afirmando que as análises dualistas possuíam interesses.religiosos e morais, além de contribuírem para a negação do corpo. Para o filósofo, o corpo.é considerado o fio condutor para a análise de quaisquer questões filosóficas e o erro da.filosofia tradicional foi a exclusão do corpo. Portanto, o corpo deve ser afirmado, pois se.apresenta como uma vivência. Finalmente, é focalizada a arte em Nietzsche, sua relação.com o corpo, a existência e o processo de criação. Nietzsche afirma que o corpo revela os.instintos fundamentais da natureza, qualquer pensamento ou doutrina que negue,.desqualifique ou desconsidere a relação intrínseca entre os instintos, a natureza, a força, a.saúde e a vida, são consideradas antinaturais e decadentes. É, portanto, necessário.reconhecer o corpo, pois é nele e com ele que o ser humano se relaciona, interpreta, cria e.vive no mundo. Analisou-se o conceito de corpo na contemporaneidade com o intuito de.demonstrar que, embora exista um apelo pelo belo, esse corpo é tratado como coisa, como.mercadoria. Por trás de um discurso favorável à beleza, à saúde e ao cuidado,.permanentemente, estão ocultos interesses, principalmente o econômico. No culto ao corpo,.se revelam ideologias políticas, econômicas, éticas e estéticas. Daí, inferimos que o corpo.do homem contemporâneo recebe um tratamento ambíguo, pois é valorizado e mostrado,.mas termina por ser explorado, violentado e banalizado. Conclui-se, portanto, que a estética.e a ética não são desvinculadas da sociedade e, em cada época, a cultura educa os corpos,.adaptando-os para empregos distintos, comprovando, pois, o pensamento de Nietzsche..Palavras-chave: corpo, criação, vida, estética, homem contemporâneo.
