O grau zero das Humanidades : Uma análise sobre a possível cientificidade das ciências humanas
Maria dos Milagres da Cruz Lopes, Natália Aparecida Morato Fernandes
- Autor
- Maria dos Milagres da Cruz Lopes, Natália Aparecida Morato Fernandes
- Revista
- Perspectivas
- Edição
- 11 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.20873/rpv11n1-53
- Páginas
- 38-51
- Idioma
- pt
O que se pretende tratar no escopo deste artigo é uma reflexão breve sobre a crise das ciências humanas até a chamada morte das humanidades na obra O grau zero do conhecimento (1991), de Ivan Domingues. Para tanto, partimos do pressuposto do que o filósofo levanta sobre a questão das ciências humanas ou grau zero do saber. Primeiramente, partiremos sobre o problema da fundamentação das ciências humanas, em que trataremos da passagem da Idade Média (teocentrismo) para o início da Idade Moderna (antropocentrismo), onde se dá a passagem da natureza enquanto obra da criação para a compreensão da natureza como objeto de controle do ser humano. Daí, seguiremos dialogando com Edmund Husserl (1859-1938) sobre a questão da cientificidade das ciências humanas e, depois, com Michel Foucault (1926-1984), a questão do seu objeto dessas ciências. Por último, com Ivan Domingues, investigaremos a possibilidade ou a falta do fundamento para as humanidades, que ele caracteriza como grau zero do conhecimento. A saber, o círculo chamado de serpente de Valéry que engole a própria cauda e a questão: essa é a condição das ciências humanas? Sabemos que Domingues não se contenta com a conclusão que chegara em O grau zero do conhecimento (resposta negativa), mas continua sua reflexão em outras obras sobre o fundamento das ciências humanas, sua legitimidade e sua cientificidade.
