O lugar político do filósofo: estudo sobre a Atopía no Górgias de Platão
GEORGE MATIAS DE ALMEIDA JUNIOR
- Autor
- GEORGE MATIAS DE ALMEIDA JUNIOR
- Orientador(a)
- MARCELO PIMENTA MARQUES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
De acordo com a tradição, Platão determinou as bases do paradoxo filosófico da relação entre filosofia e a polis, lançando a questão sobre se o filósofo pertence à cidade ou se é ausente, distante de suas práticas. Nossa dissertação questiona esse tópos vital aos estudos socráticos e platônicos e pretende jogar luz nova sobre um problema que é nuclear à filosofia política ocidental, através da análise do lugar político do filósofo no Górgias de Platão. Contra rótulos convencionais segundo os quais a filosofia política de Platão é utópica, autoritária e anti-democrática, argumentamos que a dimensão política de Platão é tão efetiva quanto decisiva para uma compreensão correta de seus escritos, independentemente de quão estranha, excêntrica e fora de lugar possa parecer. Propomos renovar esse tópos concentrando nosso foco analítico num diálogo que é único e paradigmático, na medida em que representa não um momento de transição filosofia de Platão, mas uma reflexão autônoma e aguda sobre o lugar do filosofo enquanto atopía ou um não-lugar. Essa idéia é apresentada e discutida em sua tripla dimensão conceitual da estranheza, contradição e deslocamento, sendo proposta com o intuito de nos ajudar a compreendê-la, não o de explicá-la para nos livrarmos dela. Portanto, ao argumentarmos que a atopía do filósofo é seu topos único e autêntico, mostramos como esse oxímoro pode perfeitamente fazer sentido ao leitor atento, devido ao caráter ambíguo e extraordinário da filosofia política de Platão, tese que sustentamos dando ênfase especial à noção de filosofia como melhor modo de vida.
