- Autor
- Davidson Sepini Gonçalves
- Orientador(a)
- Luis Alberto Peluso
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS — PUCCAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
A presente dissertação pretende mostrar a existência de coerência entre a ética utilitarista e o projeto Panóptico, obra de Jeremy Bentham - filósofo utilitarista inglês do século XVIII - que descreve os princípios a serem obedecidos na construção do espaço físico e na organização das formas de relação entre os envolvidos quando é preciso controlar o comportamento das pessoas, mantendo-as sob contínua inspeção. Partindo-se de uma visão geral do utilitarismo através dos escritos de Bentham e analisando a critica de Michel Foucault em sua obra """"Vigiar e Punir"""", tenta-se demonstrar que o entendimento do Panóptico só é possível a partir de sua associação com a teoria utilitarista, o que não é o caso da análise de Michel Foucault. Por não utilizar o referencial utilitarista em sua análise, ele atribui ao Panóptico características que parecem ir além da proposta de Bentham, minuciosamente elaborada para resolver problemas considerados graves em sua época. Trata-se de uma tentativa de atribuir ao Panóptico o status de uma obra utilitarista, fruto do trabalho de um pensador comprometido com os problemas sociais de seu tempo. O utilitarismo clássico ocupou-se de questões éticas como a pobreza, o sofrimento e a justiça, posicionando-se em favor da eliminação da pobreza e da diminuição do sofrimento humano através da criação de mecanismos que têm como pressuposto a justiça social. Nesse contexto surge o Panóptico, com o objetivo de colocar em prática os princípios derivados do princípio de utilidade. Esse trabalho pretende mostrar que, ao considerar o Panóptico simplesmente como um mecanismo de exercício de poder baseado na vigilância e na coerção, Foucault, não só atribui ao Panóptico características distintas das consideradas pelo seu autor, como contribui para o entendimento fragmentado da ética utilitarista e da pessoa de Bentham. Trata-se, portanto de aproximar o Panóptico da ética utilitarista e do próprio Bentham, visando uma melhor compreensão dos elementos que os cercam.
