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Dissertações

O PARADOXO DO CUIDADO DA VIDA E DO CONTROLE DO PATOLÓGICO EM MICHEL FOUCAULT

Thereza Cristina de Arruda Salomé D`Espindula

Dissertação
Autor
Thereza Cristina de Arruda Salomé D`Espindula
Orientador(a)
César Candiotto
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2011
2011Thereza Cristina de Arruda Salomé D`Espindula. O PARADOXO DO CUIDADO DA VIDA E DO CONTROLE DO PATOLÓGICO EM MICHEL FOUCAULT. 2011. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): César Candiotto.2

O biopoder, uma das sedimentações históricas do poder estudada por Michel Foucault, tem se encarregado da administração da vida da população. Sua atuação é, de um lado, sobre a vida, no sentido de produzi-la, ordená-la, fazê-la crescer e prosperar; de outro, ele opera como seu regime geral de regulação, na medida em que controla a saúde dos corpos numa biopolítica das populações, a partir da qual a doença, o tratamento e a cura são tidos como problemas ao mesmo tempo políticos e econômicos. A problematização da dissertação consiste em diagnosticar em que aspectos o cuidado da vida exercido pela medicalização da sociedade é indissociável do controle sobre a mesma, representando, desse modo, uma das tentativas de reprodução e legitimação do poder médico. A hipótese, portanto, é que esse “cuidado” é paradoxal. Para o desenvolvimento do estudo, procedeu-se a uma.análise da trajetória do trabalho de Foucault sobre as relações de poder e suas cristalizações históricas, tendo como ponto de chegada o biopoder. Como primeiro objetivo, tentou-se investigar a analítica do poder e as modalidades históricas de seu exercício. O segundo objetivo se pretendeu a discorrer precisamente acerca dos contextos nos quais o biopoder frequentemente tem atuado, relacionados ao binômio saúde/doença ou outros que estejam em seu entorno como a medicina e os médicos; o hospital; os métodos terapêuticos; a clínica onde paciente e médico se entrecruzam e o corpo, foco dessas ações. O terceiro e último objetivo se propôs a mostrar a interface entre biopoder, tanatopolítica e racismo e seus desdobramentos atuais na população. Uma das consequências dessa interface é a constatação de que o biopoder, no racismo extremo e na tanatopolítica, praticamente anula as.possibilidades de resistência; ora, para Foucault, não há relações de poder sem resistências. Desse modo, a análise do biopoder possibilitou tanto um diagnóstico da situação atual, como também uma discussão filosófica interna à investigação de Foucault. Se pelo viés da medicalização da sociedade o biopoder se apresenta mais como uma relação de poder, na forma paroxística da tanatopolítica ele está mais próximo de uma forma de dominação. Esse resultado a que chega o trabalho conduz à afirmação de que inexiste uma perspectiva unívoca do biopoder no pensamento de Foucault.