- Autor
- KÁTIA APARECIDA DE OLIVEIRA MAFORT
- Orientador(a)
- MARIA EUNICE QUILICI GONZALEZ
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO — UNESP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
A presente dissertação tem como objetivo estudar a natureza do pensamento no âmbito da teoria da complexidade. Para isso, analisamos, a partir de uma perspectiva filosófica, aspectos cognitivos da atividade do pensar. A partir dessa perspectiva, desenvolvemos argumentos para sutentar a hipótese de que o pensamento humano deve ser analisado juntamente com seu contexto de formação, pois dois elementos são fundamentais para tentarmos entendê-lo: os aspectos intrínsecos do sujeito cognitivo e os aspectos extrínsecos, fornecidos pelo meio ambiente. Argumentamos que o pensamento ocorre pela interaçao entre esses dois elementos, que vistos através da teoria dos sistemas dinâmicos podem ser entendidos como elementos que compõem um contexto maior, ou seja um sistema que envolve partes do universo. Num movimento circular ou recursivo as partes em interação influenciam o todo e o todo influencia as partes. Defendemos a hipótese segundo a qual esse sistema de influências pode ser analisado pela teoria da auto-organização, pois as partes relacionadas buscam ajustes entre si, o que ocasiona a emergência do pensamento. Neste movimento não existe um supervisor central, que controle as ações dos sujeitos em interação no mundo. Também não existe uma finalidade determinada, o pensamento se constitui de maneira auto-organizada a medida que a estrutura corpórea interage com o meio ambiente. Finalmente procuramos justificar que o pensamento não é propriedade particular, de um único indivíduo, mas sim uma construção coletiva; o sujeito cognitivo tem sua participação neste construção no sentido que estabelece hábitos e, no movimento de aquisição e mudança de hábitos gera condutas e formas de pensamento, constituindo, assim, parâmetros de ordem social, que por sua vez, possibilitam a construção de novas formas de pensar. A cognição, portanto, é vista em nosso trabalho como incorporada e situada e não como algo representado apenas abstratamente. Neste sentido, entendemos que o pensamento em seu processo cognitivo não pode ser analisado fora de seu contexto biológico, político, econômico, social, cultural e histórico. A história de vida do sujeito, sua concepção de mundo e de ser no mundo geral aquilo que chamamos de pensamento complexo.
