O PERCURSO DO DESCENTRAMENTO DO SUJEITO DO INSCONSCIENTE NA TEORIA FREUDIANA, O DESAMPARO E A REVISÃO ÉTICA QUE O ACOMPANHA.
Marly Alves Daolio
- Autor
- Marly Alves Daolio
- Orientador(a)
- Francisco Verardi Bocca
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
O sujeito humano que a obra de Freud colocou em questão encontrou-se órfão de suas principais referências tradicionais. Ele não é mais “senhor em sua.própria casa”. O desmentido que a descoberta de Freud traz para a humanidade pode se juntar aquelas de Copérnico e Darwin. Pretendemos assim, tentar compreender o que mudou fundamentalmente a partir do desmentido e da desilusão que Freud nos infligiu e analisar a problemática do sujeito do inconsciente, seu descentramento e seu desamparo. O objeto desta contribuição é precisamente o de refazer os caminhos teóricos freudianos, desde a noção de inconsciente no final do séc XIX até seus últimos escritos em 1939, pertinentes para a questão do descentramento do sujeito em psicanálise. A seguir, retomaremos a discussão sobre o conflito constitutivo do sujeito do inconsciente face ao desamparo, pois veremos que o conceito de pulsão incidirá sobre as dificuldades que o caráter indomável da natureza humana apresenta a qualquer espécie de civilização e, que o mal estar constitutivo da sua condição subjetiva está justamente em organizar uma existência aceitável, sob a forma de compromisso, tanto do ponto de vista do prazer, quanto da moralidade e da civilização. Assim, articular a ação do sujeito com o desejo inconsciente que a habita será tratar da especificidade da pulsão e de sua satisfação, o que nos remeterá a uma ética do desejo, onde o estatuto da possibilidade de satisfação parcial e de verdade parcial do desejo comportará sempre uma ausência irremediável e um domínio inacessível. Concluiremos que a ética em psicanálise se distancia de um código normativo, e que cabe a ela denunciar que, na impossibilidade de se remover por completo a situação de desamparo, resta ao sujeito mover-se como pode em torno desse destino. Para a psicanálise a humanidade do homem, ou o sujeito dentro da.moralidade, só poderá se constituir a partir do conhecimento de si mesmo. A psicanálise se coloca como uma condição de possibilidade de efetuar esse.conhecimento.
