- Autor
- CLEIDE BERNARDES
- Orientador(a)
- ALCINO EDUARDO BONELLA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA — UFU
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Esta dissertação analisa os principais pontos da teoria ética de Hare à luz de uma de suas teses principais, a de que é possível conciliar coerentemente aspectos teleológicos e deontológicos em um tipo de utilitarismo kantiano. Para tanto, analisaremos conceitos estruturais de Hare, e, com atenção especial às análises metaéticas sobre os conceitos normativos e interpretações equivocadas destes, destacamos como o utilitarismo kantiano de Hare é construído em sua metaética original (o prescritivismo universal), suas aplicações normativas (como na teoria dos dois níveis do pensamento moral) e em sua relação crítica como a ética kantiana. No capítulo um tratamos dos conceitos e divisões da ética normativa em geral e procuramos esclarecer alguns aspectos principais do utilitarismo clássico de Mill e da ética de Kant, normalmente consideradas antagônicas pela filosofia moral. Apresentamos a teoria utilitarista clássica de Mill e sua reformulação do princípio de utilidade de Bentham, com o objetivo de demonstrar que, se bem compreendida, ela não é contrária à ética kantiana. Apresentamos também uma breve abordaem de pontos principais da ética de Kant na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, pois essas duas correntes éticas são fundamentais na proposta de Hare. A possibilidade de conciliação entre utilitarismo e ética kantiana foi o tema desenvolvido no capítulo dois, no qual analisamos a forma racional (deontológica) dos enunciados morais e o conteúdo preferencialista (teleológico) ligado a isto, no prescritivismo universal de Hare. Reconstruímos a estrutura normativa da teoria de Hare em três teses interligadas: a prescritividade universal dos conceitos morais (da linguagem ordinária), a igualdade de consideração ou imparcialidade como na Regra de Ouro, a necessidade de encontrar a ação que maximiza a satisfação das vontades. E por fim, o modo como tal teoria se aplica de forma coerente aos dilemas do mundo real, ou seja, tendo dois níveis de aplicação, um intuitivo, com normas gerais para a vida cotidiana, e outro crítico, com análise de situações específicas na reflexão teórica. No capítulo três discutimos algumas críticas feitas ao utilitarismo kantiano, principalmente à sua tentativa de conciliar consequencialismo e norma deontológica do respeito às pessoas. Ao final desta dissertação, defendemos a legitimidade e consistência da teoria de Hare, e também que ela preenche as condições propostas pelos princialistas Beauchamp e Childress (2002) para uma boa teoria ética.
