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Dissertações

Os jogos de Linguagem e a crítica ao representacionismo

Marcos Roberto Huk

Dissertação
Autor
Marcos Roberto Huk
Orientador(a)
Ines Lacerda Araujo
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2009
2009Marcos Roberto Huk. Os jogos de Linguagem e a crítica ao representacionismo. 2009. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Ines Lacerda Araujo.3

O objetivo deste trabalho é mostrar como pela noção de jogos de linguagem de Wittgenstein se pode criticar o representacionismo, isto é, a tese de que a representação é o núcleo do pensamento e essencial para a proposição. Dar-se-á ênfase a Investigações Filosóficas para questionar a tese de que a mente representa o mundo e de que sem ela não há conhecimento. Para Wittgenstein não há pensamento sem linguagem e pensamento não se reduz à representação. Trata-se da chamada virada linguística. E pela virada pragmática, ao mostrar que há jogos de linguagem usados na práxis cotidiana, Wittgenstein concebe a linguagem como comportamento guiado por regras. A linguagem é autônoma e contingente. A proposição não é o núcleo da linguagem, e nem se reduz à figuração de estados de coisa, tampouco fixa o que há de comum entre figuração e o afigurado. O uso de jogos de linguagem mostra que o fascínio da representação como algo mental, único, pode ser dissolvido pela normatividade da gramática; seguem-se regras sem necessidade de uma justificação última para elas. No novo modo de conceber o funcionamento das proposições está implícita uma crítica à redução daquelas ao modelo adotado no Tractatus. Os jogos de linguagem têm usos diversos em nossas formas de vida que são os limites intransponíveis daqueles jogos. As categorias transcendentais são dispensadas com o novo modo de compreender problemas como o da referência, o papel do contexto, do usuário, seu comportamento, a dissolução terapêutica de questões como essência do mundo e da linguagem, mente privada, sujeito/objeto. A concepção de representação presente tanto no internalismo como no externalismo, sofre um abalo pela consideração da gramática do representar, que, tal como a do compreender, do ver como, do imaginar dispensa todo transcendentalismo. Assim, a atividade filosófica deixa o solo límpido e claro da lógica para se colocar no chão rugoso e áspero do cotidiano. A representação nada tem de essencial ou de substancial para o conhecimento, porque ela é apenas uma atividade linguística. Nada há de especial, de único ou misterioso na mente e nem na proposição. A linguagem não se reduz à função pictórica do mundo e o significado depende do uso. As proposições podem desempenhar ou não lances nos jogos de linguagem. O jogo do representar pode ou não exigir o uso de uma proposição, mas para representar a proposição não é indispensável. Assim nesta dissertação, a partir da revolucionária concepção de jogos de linguagem, se mostra que a representação não pode ser separada de atividades da linguagem, e isso implica em uma crítica à concepção transcendentalista de conhecimento e também dispensa a relação pictórica do paralelismo linguagem/mundo.