Dissertações

Paixões na Doutrina Cartesiana

Juliana da Silveira Pinheiro

Dissertação
Autor
Juliana da Silveira Pinheiro
Orientador(a)
Luiz Henrique de Araújo Dutra
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2008
2008Juliana da Silveira Pinheiro. Paixões na Doutrina Cartesiana. 2008. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Luiz Henrique de Araújo Dutra.2

A presente dissertação discute a doutrina cartesiana das paixões. Num primeiro momento, com o objetivo de compreender o contexto em que esta discussão está inserida, apresentamos a tese dualista cartesiana, segundo o qual seres humanos são compostos de corpo e alma, ambos concebidos como substâncias completamente distintas. Assim, apresentamos três argumentos para distinção entre mente e corpo, a saber: (i) o argumento da dúvida, (ii) o argumento da percepção cara e distinta e (iii) o argumento da indivisibilidade da alma. Além disso, discutimos a noção de união substancial, já que as paixões pressupõem uma interação entre corpo e alma. A patir disso, analisamos o conceito de """"paixão"""": investigamos a origem desse termo, salientando o sentido de passividade mantido também na perspectiva cartesiana; discurtimos a definição de paixão como """"percepção da alma causada pelo corpo"""", explorando especialmente o significado dos termos """"percepção"""" e """"causalidade""""; e apresentamos os diferentes gêneros de paixão, tais como: as sensações, os apetites e as emoções. Por fim, propomos alguns questionamentos confrontando as paixões no contexto do Dualismo Cartesiano, tendo em vista as dificuldades de entender as paixões a partir da perspectiva da dicotomia físico-mental, pela qual a paixão não tem um lugar linearmente estabelecido. Desta forma, problematizamos a possibilidade das paixões neste sistema e indagamos pelo seu estatudo ontológico, considerando-as como realidades objetivas, não obstante sejam signos das coisas. Estas questões levamnos a reconhecer a irredutibilidade das paixões e eventos puramente intelectuais ou a eventos puramente físicos. Assim, consideramos as paixões como uma terceira classe de eventos, ou seja, modos da união entre mente e corpo - por este motivo elas são fenômenos singulares no sistema de Descartes.