Passagem para o Mundo- A cotidianidade e o poder-ser próprio em Ser e Tempo
Cezar Luís Seibt
- Autor
- Cezar Luís Seibt
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
Ser e Tempo é uma das principais obras de Martin Heidegger, na qual reúne o resultado de muitos anos de estudo e com a qual projeta a continuidade do seu pensamento. O escopo da obra é tornar novamente transparente a questão do sentido do ser e o caminho adotado para tal é a análise do ente que compreende o ser, que é sua abertura. O método que possibilita este empreendimento é a fenomenologia numa chave hermenêutica. O presente estudo centra-se na análise do modo de ser do ser humano, chamado Dasein, buscando o caminho percorrido pelo autor para alcançar o ser desse ente na sua facticidade, na sua efetividade. Mostramos que este caracteriza-se como existência que acontece enquanto ser-no-mundo, com outros entes, numa convivência com outros Dasein. Como ser-no-mundo, o Dasein não é um ente que pode ocasionalmente ter ou não um mundo, pois essa é sua constituição fundamental. Enquanto ser-com está já sempre em relação, numa lida com outros entes dentro do mundo e também com outros entes que tem o seu modo de ser. Nessa relação o Dasein tem a possibilidade, que é efetiva primeiro e geralmente, de decair e perder-se nela e compreender a si mesmo a partir da lida com os entes. Na relação com outros Dasein ele compartilha de um mundo já aberto na publicidade e tem também a possibilidade de não compreender-se propriamente e de perder o acesso originário aos entes. Em tal situação, fecha-se o originário ser-no-mundo, a temporalidade e oculta-se o modo de ser do Dasein enquanto aquele que abre mundo. O trabalho consiste, portanto, em fazer uma passagem para o mundo, na qual o Dasein reconhece seu estado fundamental e libera-se para a propriedade, a autenticidade. A propriedade é possibilitada pela angústia e pelo chamado da consciência que mostram que aquilo que se mantém oculto e dissimulado é a condição do ser dos entes. Portanto, passagem para o mundo, elaborada através da descrição do fenômeno da cotidianidade, liberando para as possibilidades próprias do Dasein.
