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“[...] Que o estudo não extinga o espírito da santa oração e devoção”: reflexões sobre a educação na Ordem dos Frades Menores a partir das primeiras hagiografias em prosa sobre Antônio de Pádua

Victor Mariano Camacho, Andreia Cristina Lopes Frazão da Silva

Autor
Victor Mariano Camacho, Andreia Cristina Lopes Frazão da Silva
Revista
Antíteses
Edição
12 / 24
Ano
2019
DOI
10.5433/1984-3356.2019v12n24p17
Páginas
17-46
Idioma
pt
2019Victor Mariano Camacho, Andreia Cristina Lopes Frazão da Silva. “[...] Que o estudo não extinga o espírito da santa oração e devoção”: reflexões sobre a educação na Ordem dos Frades Menores a partir das primeiras hagiografias em prosa sobre Antônio de Pádua. Antíteses, v. 12, n. 24, p. 17-46, 2019.3

No século XIII, momento em que surge a Ordem dos Frades Menores, dois fenômenos apontados pela historiografia conviviam no Ocidente Medieval: a dessacralização do escrito e uma perspectiva crítica em relação aos que obtinham formação escolar, devido à associação entre educação, prestígio social e abandono dos princípios da fé. No documento conhecido como “Carta de São Francisco a Santo Antônio”, é possível identificar a tensão entre a importância do estudo e o seu potencial de abalar o “espírito”. Antônio, a quem a carta foi endereçada, foi, segundo apontam os testemunhos, um dos primeiros religiosos a ingressar na Ordem dos Frades Menores com formação teológica, pois educou-se junto aos clérigos regrantes. O objetivo deste artigo é analisar as primeiras legendas sobre Antônio, a Legenda Assídua, a Vida Segunda e o Diálogo das Gestas de Santo Antônio, escritas entre 1232 a 1245, a fim de discutir o papel do conhecimento escolar na caracterização do frade e, por extensão, no seio da Ordem dos Frades Menores nas décadas de 1230 e 1240.