- Autor
- MARCOS RIBEIRO BALIEIRO
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRAÇAS DE SOUZA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A relação entre os papéis desempenhados pela razão e pelo sentimento na teoria moral de Hume é um tema bastante controverso. Ainda que boa parte dos comentadores, especialmente os mais recentes, tenha se dedicado a essa questão, existem alguns pontos que permanecem obscuros..O que pretendo, ao longo deste trabalho, é mostrar que tanto a razão quanto o sentimento têm papéis de grande relevância na moral humiana: ora, o filósofo afirma explicitamente que, ainda que o fundamento da moral esteja em um sentimento ou sentido interno, só podemos ser tocados pelo sentimento exato de censura ou aprovação depois de reconhecer a utilidade de um certo ato, o que é uma tarefa inegavelmente da razão. Ainda assim, o papel que ele atribui à razão implica justamente uma adesão à corrente que, mais tarde, convencionou-se chamar sentimentalismo moral. Investigarei também de que modo razão e sentimento colaboram para a origem e para o processo de desenvolvimento da moralidade, tentando mostrar com clareza que Hume tira a força normativa da moralidade justamente de uma base não-moral, e que isso é uma das principais vantagens que o autor tem sobre o ceticismo moral. Por fim, tratarei de expor, de maneira muito breve, a moral humiana como resultado de um projeto maior de filosofia que leva em consideração a relação da filosofia com o vulgo. Do modo como vejo, isso pode jogar mais algumas luzes sobre a moral humiana.
