Reflexões acerca dos impulsos humanos - o conatus hobbesiano e o trieb freudiano
Fabiano de Mello Vieira
- Autor
- Fabiano de Mello Vieira
- Orientador(a)
- Francisco Verardi Bocca
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
A presente pesquisa tem por objetivo investigar a noção de impulso humano tendo como base a teoria de dois autores: Thomas Hobbes e Sigmund Freud. Hobbes entendeu o ser humano como parte de um todo onde o Estado ocupa lugar de soberano e regula todas as ações do homem. Com o objetivo de entender melhor as sociedades civis e seus elementos constituintes, buscou na natureza humana e mais especificamente no conceito de “lei natural” as justificativas necessárias para o entendimento do egoísmo do homem que, por isso depende do Estado para frear as conseqüências extremas de um conatus atrelado a um desejo de autoconservação. Freud por sua vez partiu da noção de força, fortemente endossada pela ciência de sua época, aplicando-a a hipóteses clínicas para desenvolver sua teoria acerca dos impulsos humanos baseada no que ele chamou de pulsão (Trieb) que já estaria presente de maneira implícita nos seus primeiros estudos sobre as quantidades de energia em 1895, porém, ganhou contornos mais definidos ao longo de toda a obra até chegar ao último dualismo pulsional exposto em 1920. Acompanhando o caminho percorrido por cada um desses autores pretendemos verificar se procede uma espécie de complementaridade entre as duas teorias, no sentido em que Freud avançou no entendimento da natureza humana para além de onde Hobbes se deu por satisfeito e retornou a seu objeto inicial de investigação. Esse movimento se deu, segundo entendemos, por três eixos principais: 1) no entendimento da natureza humana enquanto máquina; 2) na verificação da hierarquia das paixões; 3) Na descrição de cada uma das teleologias presentes. Concluimos, em resposta ao nosso problema de pesquisa que não existe uma complementaridade nas teorias em questão, sendo cada uma delas suficiente para explicar a natureza humana para os dois autores. Sendo Hobbes aquele que baseou sua teoria do impulso no conatus enquanto desejo de autopreservação e Freud no dualismo pulsional, verificamos que é na diferença das teleologias às quais os dois autores representam que está o principal ponto de distanciamento entre eles.
