- Autor
- Yong Lu
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 48 / 5
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2025.v48.n5.e025241
- Páginas
- e025241
- Idioma
- en
Este artigo sustenta que uma filosofia musical, centrada na voz, emergiu na China antiga, segundo a qual a voz humana ocupa uma posição normativa em relação aos instrumentos, por ser o meio que mais diretamente exterioriza a vida e o Qi. Argumenta-se que o Qi constitui o fundamento teórico que vincula o som vocal tanto à vitalidade natural quanto à agência moral e espiritual. Com base na análise de fontes, que vão do período pré-Qin à dinastia Qing, o estudo demonstra uma transição de hierarquias materiais (“seda–bambu–carne”) para critérios baseados em graus de participação vital no som, culminando numa estética vocal orientada para o sujeito humano. O artigo explica ainda como as características linguísticas do chinês e a estreita relação entre literatura e música consolidaram a voz como norma para o timbre, a forma e a pedagogia musical. Por fim, analisa a passagem da atenção aos efeitos acústicos para a morfologia da cavidade oral, tornando possível a articulação de uma teoria sistemática, ancorada na prática da primazia da voz. Submissão: 15/11/2025 – Decisão: 15/12/2025 – Revisão: 20/01/2026 – Publicação: 15/02/2026
