- Autor
- Rita Paiva
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 10 / 20
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.34024/limiar.2023.v10.18895
- Páginas
- 287-320
- Idioma
- pt
Este artigo procura vislumbrar como Albert Camus, particularmente em O mito de Sísifo, relaciona o trágico do existir e o movimento do pensamento. Isso será feito em dois passos. No primeiro, parte de uma relação entre tragédia, salvação e aniquilamento e acompanha a crítica camusiana às estratégias da racionalidade humana para consumar suas nostalgias. No segundo, procura mostrar que o pensamento que não constrói suas representações a partir de nostalgias inconfessáveis é aquele que interdita seus anseios por unidade; sua consumação exige a experiência da revolta e a presença de imagens. Em vista disso, pretende mostrar como o pensamento por imagens contemporiza com o trágico e traz nele mesmo essa marca. As imagens serão também constitutivas de um pensamento dos limites, o qual se inscreve na literatura e na filosofia, quando essas vertentes não se desviam dos dilemas viscerais da existência, ou seja, de sua tragicidade.
