- Autor
- Elder de Carvalho Lobão
- Orientador(a)
- Jeanne Marie Gagnebin De Bons
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
No diálogo Fedro assistimos à condenação da escrita. Platão afirma neste diálogo que a escrita embora pareça um remédio (phármakon) para a memória, ela seria na verdade um mal, uma vez que funcionaria como um veneno (phármakon) para a memorização, não para a memória. Assim, Platão por escrito nos diz sua opinião a respeito da escrita e dos limites da escrita, que é entendida como o espaço da ingenuidade e da fragilidade intelectual. Ressaltemos ainda que esta """"condenação"""" insere-se numa crítica mais ampla visando atacar os outros discursos que também gozavam de prestígio na Grécia de Platão (a poesia e a sofística). Para a consecução do nosso trabalho, inicialmente enfocamos as referências sócio-culturais gregas à época do filósofo. Feito isto, procuramos mostrar as transformações realizadas por Platão na sociedade de seu tempo, que romperam com o longo passado cultural grego, estabelecendo os pilares culturais do ocidente. Além disto apresentamos duas leituras da """"condenação"""" platônica. A primeira, baseada nos postulados da chamada """"escola de Tübingen"""" analisa as doutrinas platônicas não-escritas. A Segunda, enfoca os trabalhos da """"teoria da desconstrução"""" de J. Derrida. Tentando refletir sobre as diversas interpretações que esta """"condenação"""" suscitou, tomamo-la como objeto de nosso trabalho. Confrontando estas diversas interpretações procuramos verificar quais são os pressupostos de cada uma delas e em que medida eles poderiam ser opostos ou complementares.
