- Autor
- LUIZIR DE OLIVEIRA
- Orientador(a)
- LUIZ FERNANDO BATISTA FRANKLIN DE MATOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
Este trabalho propõe-se a uma investigação acerca da questão do cuidado e do domínio de si na construção da personalidade moral autônoma. Para tanto, elegeu-se como ponto de apoio uma leitura baseada na obra de dois pensadores - Diderot e Sêneca - preocupados com a mesma problemática: como garantir um julgamento adequado acerca da realidade de forma a harmonizar as escolhas individuais e os interesses coletivos visando ao bem comum. Embora comprometidos cada qual com as questões centrais de seu tempo, parecem apontar para um mesmo caminho quando se trata de entender a práxis humana cotidiana: o papel da representação e a forma como ela age nos processos do julgamento humano com relação ao seu agir, visando à construção de uma moralidade autônoma não apenas possível, mas efetivamente aplicada. Parte-se do pressuposto de que a proposta diderotiana tem uma dívida para com o pensamento antigo, especialmente com as escolas helenísticas. Assim, optou-se por dividir a análise a seguir em dois momentos. A primeira parte do trabalho oferece um panorama da obra de Diderot com ênfase nos escritos mais diretamente ligados ao mundo greco-romano. A segunda parte particulariza o diálogo com Sêneca, resgatando alguns conceitos (estóicos e espinosanos) fundamentais para a compreensão da maneira como Diderot trata a obra senequiana, procurando enfatizar os pontos de contato entre os dois pensadores por meio do binômio representação-moralidade autônoma. As conclusões devem ser vistas apensas como um ponto de repouso momentâneo: no enérgico universo diderotiano concluir significa tão-somente recomeçar.
