- Autor
- Leandro Lelis Matos
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 15 / 30
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2024v15n30p1059-1080
- Páginas
- 1059-1080
- Idioma
- pt
O propósito deste artigo é investigar como Deleuze propõe uma reconfiguração da fundação e do fundamento do tempo, a fim de alcançar o sem-fundo (sans-fond) como novo princípio do tempo. Para tanto, o texto irá explorar o segundo capítulo de Diferença e repetição, intitulado “A repetição para si mesma”, e alguns momentos de Lógica do sentido, obras nas quais encontram-se as discussões mais relevantes para a presente proposta acerca da questão do tempo. Essa nova concepção de tempo trazida por Deleuze instaura uma perspectiva na qual o tempo deixa de ser concebido por momentos sucessivos para ser pensado nos termos de um presente empírico, que vai dos corpos a um incorporal, de um passado transcendental e de um futuro enquanto criação. Nesse sentido, analisaremos quais os impactos que a noção de “tempo puro” provocará no sujeito, e as principais alianças de Deleuze para a discussão acerca do tempo serão as com os estoicos, com Hölderlin, com Blanchot e com Nietzsche, pois eles conferem os elementos necessários para o nosso autor elaborar uma concepção de tempo cujo fundamento encontra-se no novo, implicando conceitos como devir, acontecimento e ritornelo, este elaborado em Mil platôs.
