UMA INTERPRETAÇÃO HERMENÊUTICA DO TEMPO E DA MEMÓRIA NO TOMO l DE EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
Rita de Cássia Oliveira, Adriano Carvalho Viana
- Autor
- Rita de Cássia Oliveira, Adriano Carvalho Viana
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 33 / 33
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.30611/33n33id94046
- Páginas
- 37-53
- Idioma
- pt
O presente artigo trata sobre uma interpretação hermenêutica em Paul Ricoeur com aplicação no tomo l: O caminho de Swann; da obra Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. Buscamos compreender como Ricoeur assegura que os princípios interpretativos em hermenêutica possuem dupla tarefa: o seu sentido e a sua referência, respectivamente, a reconstrução da dinâmica interna do texto e o poder de projetar-se para fora de si, representando um projeto de mundo habitável. Para tanto, o nosso objetivo foi verificar como na citada obra literária as personagens coexistem nas experiências irreais da narrativa mediante as concepções de Ricoeur sobre o tempo e a memória. O método utilizado foi hermenêutico conforme a concepção de Ricoeur em que está vinculado à uma hermenêutica filosófica que não se define de maneira unívoca, mas, de forma tripla: é método, interpretação e reflexão. E obtivemos como resultados principais que o tempo da narrativa de ficção está livre dos vínculos com o tempo cronológico e a recorrência mnemônica refere-se à memória involuntária. Dessa forma, concluimos que a independência da narrativa de ficção do tempo cronológico permite explorar recursos do tempo fenomenológico e que a memória involuntária irrompe na personagem a depender dos sentidos que um gesto banal e cotidiano como a degustação de um chá de Tília com bolinhos de Madeleine desperta-lhe para a busca do seu passado.
