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Dissertações

Vida e razão - A crítica de Ortega y Gasset à Filosofia Contemporânea

LINO CASAGRANDE

Dissertação
Autor
LINO CASAGRANDE
Orientador(a)
Jayme Paviani
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2000
2000LINO CASAGRANDE. Vida e razão - A crítica de Ortega y Gasset à Filosofia Contemporânea. 2000. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Jayme Paviani.2

Na história do pensamento humano bem como da criação artística sempre houve uma propensão a aceitar o que, de certa forma, guarda similaridade com o que tem vigência. O novo leva certo tempo para abrir espaço e tornar-se mundo. Não foi diferente em relação a Ortga y Gasset. o paradigma por ele proposto encontrou o peso da resistência de uma tradição milenar. Centrada em torno da idéia de razão, construiu ulma arquitetura esplêndida, mas esqueceu que a razão não é primeira, isto é, ela por si só não se articula sem a condição de possibilidade á qual todas as demais realidades a ela devem se referir. Esta realidade última é a vida; não, porém, à vida em geral, mas a de cada qual: a minha, a tua, a nossa vida. Não há razão sem a vida, como não há vida sem mundo ou circunstancia. Vida e circunstancia são as categorias essenciais que o pensamento de Ortega articula, em outras palavras, são os elementos constitutivos do novo paradigma proposto por Ortega y Gasset. A vida, para ele, é mais importante que a razão e, neste sentido, a """"filosofia amoris"""" como ele a denomina é afã de compreender, isto é, nasce da uma necessidade circunstancial á qual se sente ligado, de tal forma que sua alegria depende da plenitude de tudo o que o cerca. Esta é, portanto, a disposição do """"madrileño"""" que o leva a dialogar com a tradição filosófica. O objetivo desse trabalho é, de um lado, levar ao público estudantil e aos que cultivam o gosto pela leitura alguns elementos da árvore frondosa dos escritos de Ortega. De outro, contribuir, mesmo que modestamente, para torná-lo conhecido do público acadêmico, tendo em vista o fato de que seus contributos dizem respeito, mais do que parece, aos povos do Terceiro Mundo. O método que ele adotou foi o dialético hermenêutico, e por se tratar de temas ligados a questões essencialmente humanas, não poderia ser outro o adotado no desenvolvimento deste trabalho. O que disso resultou poderia ser multo mais do que o alcançado. Contudo, foi o suficiente para referí-lo nos conteúdos ministrados na atividade de docência. Ortega foi o precursor de temas fundamentais para a compreensão da criatura humana. Esses contributos se encontram-se tanto nos escritos de Sartre, bem como os de muitos pensadores estudados principalmente pelos alunos dos cursos de filosofia. A sistematização heideggeriana se articula com não poucos conceitos prenunciados por Ortega, desde as Meditações do Quixote de 1914. Além disso, pode-se encontrar idéias relativas ao conceito de ciência como construção em não poucos epistemólogos da modernidade. Nas janelas abertas em nosso trabalho, o leitor terá oportunidade de verificar o acento dessa afirmação. Os conceitos chave que constituem a ossatura do autor em questão são: realidade radical, circunstancia, saber a que se ater, idéias e crenças, ensimesmamento e alteração, ejecutivo, coisa, raciovitalismo, razão histórica, razão vital.