- Autor
- VLADIMIR DE OLIVA MOTA
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRAÇAS DE SOUZA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
Os problemas metafísicos inquietaram Voltaire por toda sua vida. Contudo, só após seu exílio na Inglaterra ele se preocupou em fundamentar suas reflexões e dedicou-se a ampliar sua formação filosófica. A primazia da experiência no processo do conhecimento e, conseqüentemente, o limite deste são heranças que Voltaire absorvera do pensamento inglês e refletiu em toda sua produção filosófica. Assim, no seu combate à metafísica, uma das principais armas é exatamente aquela extraída do arsenal teórico inglês do século XVII: o empirismo. Encerrando o saber humano em limites estreitos (a experiência), Voltaire ataca a curiosidade e o orgulho dos homens que os levam a desejar conhecer o que não lhes é permitido, a formular questões que se encontram fora da capacidade humana de solucioná-las. A maioria dos problemas metafísicos extrapola essa capacidade e permanecerá para sempre sem resposta. Todavia, identificar a herança inglesa em seu combate ao discurso metafísico não é suficiente para compreender o repúdio do filósofo a esse discurso. É necessário, para essa compreensão, perceber que a obra de Voltaire é um manifesto a favor da idéia de que há coisas úteis a serem conhecidas e outras, completamente inúteis. Eis sua principal arma de combate à metafísica: a idéia de conhecimento útil. O critério de utilidade do saber, segundo o filósofo, é o da contribuição do conhecimento para a moral. O bem-estar social foi a maior preocupação de Voltaire, a felicidade do homem tem lugar central em seu pensamento. Nesse sentido, associando-se ao projeto Ilustrado de organização da vida em sociedade, Voltaire faz uso da sátira contra a metafísica, ressaltando que a grande parte dos problemas a ela pertinente é inútil, pois em nada influi na felicidade individual e coletiva dos homens, em nada influi numa moral.
