Dissertações

A Relação Talento-Genialidade

IVÂNIA HEBLING MARTINS

Dissertação
Autor
IVÂNIA HEBLING MARTINS
Orientador(a)
Franklin Leopoldo e Silva
Universidade
FACULDADE DE SÃO BENTO — FSB
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010IVÂNIA HEBLING MARTINS. A Relação Talento-Genialidade. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — FACULDADE DE SÃO BENTO, SP. Orientador(a): Franklin Leopoldo e Silva.3

A relação talento-genialidade é um estudo de caráter ontológico e tem por objetivo investigar o fenômeno da genialidade, tendo por objeto o gênio. Fundamenta-se na terceira crítica do filósofo Immanuel Kant, do século dezoito, a Crítica do Juízo. Recorremos também a Platão, Plotino e Nietzsche, que agregam o conhecimento ao conceito tanto das faculdades da alma quanto do gênio. Para a verificação empírica, foi selecionada uma amostra composta de vinte e três gênios e homens de talento, num período de sete séculos (XV ao XXI), para que pudéssemos identificar a existência da relação talento-genialidade e estabelecer a sua natureza, propriedades e utilidade, principalmente no século XXI. A relação mostrou-se dinâmica no tempo, permitindo-nos, em decorrência de um exame minucioso das vidas, entender que o gênio, embora não esteja limitado às regras, torna-se gênio através de um procedimento peculiar do jogo das faculdades da alma. Esse jogo nos possibilita ver, de modo pormenorizado, as etapas e os procedimentos fundamentais que os gênios executam no seu modo de exteriorizar-se, de tornar a ser. Esse entendimento só foi possível pela descamagem intencional das camadas sociais, institucionais, culturais, da fama e da celebridade, pois dessa forma o que é natural e inerente à relação tornou-se visível no tempo e no modo, pelos públicos, obras e meio ambiente. De maneira consequente, o desdobramento deu visibilidade e compreensão adequadas à relação talento-genialidade, tornando claro que o talento é o instrumento da genialidade nessa relação. É ele que possibilita a exterioridade do gênio, o tornar-se. Enquanto o talento é o instrumental, o jogo sagaz da faculdade do juízo exercido pelo sujeito reflexivo possibilita a visibilidade do gênio pela sua arte bela, precedida pelo gosto, na plataforma do mundo sensível, pela conformidade a fins. Quando as faculdades da alma são acionadas pelo sujeito reflexivo, elas interferem na habilidade e no sistema de talento disponibilizando recursos motrizes à relação talento-genialidade. É nessa dinâmica que o gênio torna-se visível. O sujeito pode também eleger ou privilegiar uma das faculdades, por exemplo, a da imaginação, no seu sentido produtor, criador. Esse instrumental nos permite estabelecer um procedimento que se distingue em etapas do percurso do tornar-se. Ele é comum a todos os gênios. Escolhemos então a vida e o trajeto de Mozart para demonstrá-lo. O processo e suas etapas nos permitiram criar índices e indícios de uma trajetória no sentido do tornar-se gênio que apresentamos de maneira sintética (curva de aderência à genialidade) no último capítulo, pois ele será objeto de estudo do próximo projeto. O gênio transita com singularidade nos campos de domínio e território do mundo sensível e suprassensível e pode exercer, pelo sujeito reflexivo, a sua vontade, liberdade, imaginação no intuito de tornar-se, mediante o uso instrumental de suas faculdades no sistema de talento e no sistema por si só.