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CONSCIÊNCIA HISTÓRICA, HERMENÊUTICA E CRÍTICA DA IDEOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE O DEBATE HABERMAS-GADAMER

FELIPE RIBEIRO

Dissertação
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Autor
FELIPE RIBEIRO
Orientador(a)
FERNANDO COSTA MATTOS
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC — UFABC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2019
2019FELIPE RIBEIRO. CONSCIÊNCIA HISTÓRICA, HERMENÊUTICA E CRÍTICA DA IDEOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE O DEBATE HABERMAS-GADAMER. 2019. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC, SP. Orientador(a): FERNANDO COSTA MATTOS.3

ESTA DISSERTAÇÃO BUSCA RECONSTRUIR O DEBATE HABERMAS-GADAMER TENDO POR FIO CONDUTOR A NOÇÃO HERMENÊUTICA DE CONSCIÊNCIA HISTÓRICA. PARTINDO DE UMA SUGESTÃO DE HABERMAS, MOSTRAREMOS COMO A CONSCIÊNCIA HISTÓRICA GADAMERIANA TEM UMA INTENÇÃO CRÍTICA, EM DOIS SENTIDOS: POR UM LADO, REFERE-SE A UMA AUTOCRÍTICA DO SUJEITO DA INTERPRETAÇÃO, PELA QUAL ELE APRENDE A HISTORICIZAR SUAS CONCEPÇÕES PRÉVIAS, ROMPENDO COM A AUTOCOMPREENSÃO OBJETIVISTA DO PROCESSO DE CONHECIMENTO; POR OUTRO, REFERE-SE À CAPACIDADE QUE TODO INTÉRPRETE, AO REFLETIR SOBRE A TRADIÇÃO EM QUE SE INSERE, TEM DE REVISAR CRITICAMENTE OS ESQUEMAS HERDADOS E MODIFICÁ-LOS COM VISTAS A INTERESSES PRÁTICOS CONTEMPORÂNEOS. A PARTIR DAÍ, RETOMAREMOS O INTERESSE DE HABERMAS PELA HERMENÊUTICA, FOCANDO NO COMBATE CONTRA O POSITIVISMO E EM SUA TEORIA DOS INTERESSES DO CONHECIMENTO. VEREMOS COMO, PARA HABERMAS, EMBORA DILTHEY SEJA UMA FIGURA CENTRAL PARA A CONSOLIDAÇÃO DO INTERESSE PRÁTICO DO CONHECIMENTO, ELE PERMANECEU TODAVIA ATRELADO AO POSITIVISMO, DE FORMA QUE É APENAS EM GADAMER QUE ENCONTRAMOS O APROFUNDAMENTO DE UMA AUTORREFLEXÃO CRÍTICA. ISTO POSTO, PASSAREMOS ÀS CRÍTICAS DE HABERMAS: PARA ESTE, APESAR DE SUAS VANTAGENS, GADAMER ABSOLUTIZOU A HISTORICIDADE E A DEPENDÊNCIA DO CONHECIMENTO A CONTEXTOS, PONDO EM RISCO SEUS PRÓPRIO GANHOS CRÍTICOS. DAÍ QUE HABERMAS BUSQUE CONDUZIR O INTERESSE CRÍTICO DA HERMENÊUTICA PARA ALÉM DELA, ESTABELECENDO LIMITES PARA A NOÇÃO HERMENÊUTICA DE CONSCIÊNCIA HISTÓRICA. ESSA PASSAGEM SE DÁ EM DOIS MOMENTOS: POR UM LADO, HABERMAS QUER AMPLIAR A CONSCIÊNCIA DO PRESENTE NA FORMA DE UMA SOCIOLOGIA DA ATUALIDADE CAPAZ DE DAR CONTA DO NEXO ENTRE TRADIÇÃO, DOMINAÇÃO E TRABALHO; POR OUTRO, É NECESSÁRIO LEGITIMAR UMA RECONSTRUÇÃO RACIONAL DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA, QUE EXPLICITARIA A RACIONALIDADE INERENTE À COMUNICAÇÃO E QUE NÃO É PURAMENTE DEPENDENTE DE UM CONTEXTO HISTÓRICO. ESSE SERIA O PROGRAMA GERAL DE UMA PASSAGEM DA HERMENÊUTICA À CRÍTICA DA IDEOLOGIA, QUE BUSCA SER UMA CRÍTICA SISTEMÁTICA DA TRADIÇÃO. PASSAGEM PROBLEMÁTICA, PORÉM, POIS VEREMOS, COM GADAMER, QUE A PROPOSTA DE UMA RECONSTRUÇÃO TEÓRICA DA LINGUAGEM CORRE O RISCO DE CERTO OBJETIVISMO E, NO LIMITE, DE IDEOLOGIA: SE ELA SE FURTA À REFLEXÃO HISTÓRICA, ELA PARTE DE UM PRESSUPOSTO DOGMÁTICO E AISTÓRICO USADO PARA CRITICAR COMUNICAÇÕES “DISTORCIDAS”. É NESSA LINHA QUE GADAMER COBRARÁ UMA REFLEXÃO HERMENÊUTICA SOBRE A CRÍTICA DA IDEOLOGIA QUE A RE-SITUALIZE. ESSA VOLTA A GADAMER NOS PERMITIRÁ DEFENDER, NAS “CONSIDERAÇÕES FINAIS”, A POSIÇÃO DE QUE O INTERESSE DO DEBATE ESTÁ JUSTAMENTE NOS CONSTANTES PONTOS DE TENSÃO ENTRE AMBOS AUTORES, E NÃO NA OPÇÃO POR UM OUTRO, PREFERINDO PORTANTO MANTÊ-LOS NAQUILO QUE BERNSTEIN CHAMARÁ DE UMA “CONSTELAÇÃO TENSA”.