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Dissertações

CONSIDERAÇÕES SOBRE O “INTERIOR” EM LUDWIG WITTGENSTEIN

Léo Peruzzo Júnior

Dissertação
Autor
Léo Peruzzo Júnior
Orientador(a)
Bortolo Valle
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010Léo Peruzzo Júnior. CONSIDERAÇÕES SOBRE O “INTERIOR” EM LUDWIG WITTGENSTEIN. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Bortolo Valle.2

As reflexões de Wittgenstein, em Investigações Filosóficas e Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia, permitem uma análise do tratamento dispensado à questão do interior. As considerações do autor, após as enunciações do Tractatus, fazem referência ao uso expressivo da linguagem, e com ele, um apontamento para a interioridade. Esta pesquisa pretende analisar de que modo é possível falar, em Wittgenstein, da existência de um interior quando adotamos os recursos expressivos da linguagem pragmática. Das análises do autor se desprende a convicção de que o interior, entendido conforme algumas concepções tradicionais (cartesianismo e behaviorismo metodológico) é uma pseudo-entidade. Sua formulação está envolta em problemas linguísticos que precisam ser desfeitos. Wittgenstein, ao desenvolver o argumento da linguagem privada, mostra que um possível estado interior só pode ser reconhecido por meio de sua exteriorização linguística. A gramática do “sei que estou com dores”, por exemplo, só possui sentido quando substituída por aquela de “sei que ele tem dores”, uma vez que toda regra é constituída publicamente, não existindo acesso privilegiado a um suposto mundo interior. Assim, o interior, só pode ser apresentado por meio da linguagem, que se constitui como critério de sua modulação. A realidade interior/exterior é central no argumento da linguagem privada. A pergunta que ilustra tal centralidade pode ser assim formulada: como se pode usar critérios públicos para identificar algo que suponho ser privado, ao qual temos um acesso.privilegiado? Wittgenstein entende que a resposta exige uma experiência intersubjetiva. O estado interior, ilustrado por nossos verbos psicológicos, reclama sua identidade no âmbito dos jogos de linguagem. Assim, o interior, pensado por Wittgenstein, se dá no contexto, ou seja, por meio da linguagem em perspectiva pragmática. É em tal contexto que adquirem sentido as situações vividas privadamente, como por exemplo, desejar, acreditar etc. Aquelas situações não observáveis (vontade, expectativas etc.), que parecem compor um bom argumento a favor de uma interioridade, na verdade só adquirem sentido quando exteriorizadas na linguagem. Não existe o privado enquanto.oculto; ele está enraizado em nossa linguagem cotidiana.