ENSAIO SOBRE OS CONTRASTES E TENSÕES DO CONCEITO DE HETEROTOPIA PARA A EDUCAÇÃO EM MICHEL FOUCAULT E HENRI LEFEBVRE
Gustavo Cougo, Juliane Marschall Morgenstern, Marcio Tascheto da Silva
- Autor
- Gustavo Cougo, Juliane Marschall Morgenstern, Marcio Tascheto da Silva
- Revista
- Thaumazein: Revista Online de Filosofia
- Edição
- 18 / 36
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.37782/thaumazein.v18i36.5669
- Páginas
- 149-159
- Idioma
- pt
Este ensaio teórico examina o conceito de heterotopia em Michel Foucault e propõe colocá-lo em contraste com a noção do conceito em Henri Lefebvre, visando realizar aproximações para pensar o ensino e a aprendizagem a partir da perspectiva do espaço. Metodologicamente, trata-se de um ensaio teórico, de caráter analítico-interpretativo. Parte-se da ênfase foucaultiana da centralidade do espaço e da proposta de uma heterotopologia, cujo critério de análise é a descrição das regras de funcionamento de “espaços disruptivos”, seus acessos, separações e justaposições. Em seguida, observa-se o conceito em Lefebvre, tomando a distinção isotopia-heterotopia como dinâmica urbana, em que as diferenças podem se intensificar em disputa ou serem (re)absorvidas por uma ordem dominante. Esse contraste é tensionado com David Harvey (2014), que recoloca heterotopia e direito à cidade em meio à produção social do espaço e suas disputas. Por fim, o texto aproxima essas perspectivas do campo educativo com as mediações de Berticelli (1998) e Veiga-Neto (2007), sustentando que o currículo e o espaço se interseccionam e que a crítica à centralidade da escola pode ser feita sem manifestar, necessariamente, a sua extinção. O ensaio encerra propondo uma pergunta disparadora para pesquisas futuras: como descrever “lugares outros” de aprendizagem sem perder de vista a dimensão da produção social do espaço e seus mecanismos de captura e controle?
