ENTRE UMA ILUSÃO E UM ENIGMA:a linguagem como mediadora entre a intuição sensível e o pensamento puro
VANIA LISA COSSETIN
- Autor
- VANIA LISA COSSETIN
- Orientador(a)
- Eduardo Luft
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
O tema da linguagem, em Hegel, assim como o da dialética, encontra-se adjacente e fragmentado na trama das reflexões filosóficas mais gerais. O que, todavia, não implica que ele tenha deixado de formular pontualmente a pergunta pela linguagem para concebê-la apenas como apêndice do sistema ou mero suposto da reflexão filosófica. Pelo contrário, na Fenomenologia e, mais especificamente, na Enciclopédia, Hegel desenvolve análise específica da linguagem, atribuindo a ela o papel de mediadora entre a intuição sensível e o pensamento puro. Na Fenomenologia Hegel apresenta como o percurso de recusa do inefável, em que, já na certeza sensível, toda a tentativa da consciência de compreender a verdade do objeto apenas pela intuição e a de querer dizê-lo prescindindo da linguagem, não passa de uma ilusão. Na Psicologia da Enciclopédia, a linguagem perfaz o caminho da intuição até o pensamento e se configura como o meio pelo qual os dados externos imediatos, carentes de problematização reflexiva, são elevados ao pensamento puro. Isto implica um impasse: se a linguagem reconduz o espírito de sua dimensão fenomênica a um âmbito livre de quaisquer contingências, fica a dúvida se, ao término do caminho fenomenológico, ela é consumada e eliminada do sistema ou, caso conservada, corre então o risco de comprometer o pensamento puro.
