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O jogo duro do Dois de Julho e as narrativas sobre a participação da Bahia na Independência do Brasil em livros didáticos regionais para os Anos Iniciais.

Ana Heloisa Molina, Carollina Carvalho Ramos de Lima

Autor
Ana Heloisa Molina, Carollina Carvalho Ramos de Lima
Revista
Antíteses
Edição
15 / Especial
Ano
2022
DOI
10.5433/1984-3356.2022v15nEspecialp81-117
Páginas
81-117
Idioma
pt
2022Ana Heloisa Molina, Carollina Carvalho Ramos de Lima. O jogo duro do Dois de Julho e as narrativas sobre a participação da Bahia na Independência do Brasil em livros didáticos regionais para os Anos Iniciais.. Antíteses, v. 15, n. Especial, p. 81-117, 2022.3

Este estudo avalia a forma como a guerra de independência na Bahia é apresentada em seis livros didáticos regionais de História, aprovados pelo PNLD, entre 2004 e 2016. Buscamos reconhecer na narrativa histórica escolar elementos que reforçam e/ou fazem circular uma “memória das elites”, que supervaloriza o heroísmo baiano, a guerra e os militares, minimizando a participação popular e os diferentes interesses e projetos políticos entre os grupos sociais envolvidos. Avaliamos que a forma como a guerra de independência na Bahia é apresentada, de um lado, indica a permanência de uma leitura romântica da guerra e do “povo baiano”, preservada na memória coletiva sobre a “independência da Bahia”, cujas bases remontam ao século XIX; e de outro, reforça o estereótipo (da heroína romântica) e reduz a história das mulheres à mera curiosidade e/ou anedota. Além disso, a abordagem dos conteúdos revelou-se problemática, porque estabelece pouca – ou nenhuma – conexão entre a história local e as experiências históricas ocorridas em outras escalas, de modo que os leitores teriam dificuldades de compreender e estabelecer relações entre o global, o nacional e o local, por exemplo.