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OS LIMITES ENTRE A MORAL E O PRAGMÁTICO NA FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE IMMANUEL KANT

WAGNER BARBOSA DE BARROS

Autor
WAGNER BARBOSA DE BARROS
Orientador(a)
JOSE EDUARDO MARQUES BAIONI
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2023
2023WAGNER BARBOSA DE BARROS. OS LIMITES ENTRE A MORAL E O PRAGMÁTICO NA FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE IMMANUEL KANT. 2023. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, SP. Orientador(a): JOSE EDUARDO MARQUES BAIONI.4

O OBJETIVO DESTA TESE É O DE ANALISAR A FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE IMMANUEL KANT À MEDIDA EM QUE BUSCAMOS CIRCUNSCREVER DE QUE MODO O ÂMBITO PRAGMÁTICO COLABORA OU FAVORECE PARA O CUMPRIMENTO DO QUE É ESTABELECIDO COMO FIM MORAL AO GÊNERO HUMANO. A FILOSOFIA DA HISTÓRIA KANTIANA SE OCUPA DA INVESTIGAÇÃO ACERCA DA HISTÓRIA DAS AÇÕES DOS HOMENS, COM O INTENTO DE NELA ENCONTRAR, A DESPEITO DA TRAMA DE TOLICE E CAPRICHO PUERIL, UM CURSO REGULAR DO DESENVOLVIMENTO DE TODAS AS SUAS DISPOSIÇÕES SEGUNDO UM PROPÓSITO NATURAL. POR MEIO DE SEU PRÓPRIO ESFORÇO, O GÊNERO HUMANO TEM POR OBRIGAÇÃO SE AFASTAR DE SUA ANIMALIDADE E, ATRAVÉS DE SUA RAZÃO, PROGREDIR GRADUALMENTE ATÉ À PERFEIÇÃO INTERNA DO MODO DE PENSAR, O QUE, NA FILOSOFIA PRÁTICA KANTIANA, AFIGURA-SE COMO A PRODUÇÃO DE UMA BOA VONTADE. DE ACORDO COM O FILÓSOFO ALEMÃO, UMA BOA VONTADE É BOA, NÃO POR SUAS OBRAS E REALIZAÇÕES, OU AINDA POR CAUSA DE SUA EFICÁCIA EM ALCANÇÁ-LAS, MAS TÃO SOMENTE PELA PUREZA DE SUA MÁXIMA, ISTO É, ELA É BOA EM SI MESMA. EM SEUS ENSAIOS DE FILOSOFIA DE HISTÓRIA E NOUTROS TEXTOS QUE TAMBÉM TOCAM SEUS CONCEITOS, KANT ESTIPULA – EM CONCORDÂNCIA COM O QUE SUA FILOSOFIA MORAL ESTABELECE – O PERCURSO PROGRESSIVO A SER PROMOVIDO PELO GÊNERO HUMANO DE UMA GERAÇÃO À OUTRA: ELE DEVE DISCIPLINAR-SE, CULTIVAR-SE, CIVILIZAR-SE E, POR FIM, MORALIZAR-SE. EM CONSIDERAÇÃO A ESSE DESENVOLVIMENTO GRADUAL COM UM PROPÓSITO MORAL, TORNA-SE NECESSÁRIO COMPREENDER DE QUE MODO, EM UMA HISTÓRIA PENSADA FILOSOFICAMENTE, OS HOMENS DEVEM E PODEM INTENTAR ESSA FINALIDADE, ISTO É, QUAL É O PAPEL DESEMPENHADO PELO ÂMBITO PRAGMÁTICO, DELIMITADO PELO EXERCÍCIO DA PRUDÊNCIA, NA PROMOÇÃO DA MORALIZAÇÃO HUMANA; NOUTRAS PALAVRAS, QUAL É O POTENCIAL QUE OS EXPEDIENTES FORMATIVOS DA ANTROPOLOGIA E DA EDUCAÇÃO, BEM COMO OS RECURSOS COERCITIVOS DA POLÍTICA E DO DIREITO EXERCEM NA PRODUÇÃO DE UMA BOA VONTADE. NOSSA TESE É A DE QUE HÁ UM LIMITE PRÓPRIO ENTRE O ÂMBITO MORAL E O PRAGMÁTICO, ISTO É, QUE A MORALIZAÇÃO DO GÊNERO HUMANO NÃO PODE RESULTAR DE NENHUM INCENTIVO OU IMPOSIÇÃO, PORQUE ELA É, POR PRINCÍPIO, UMA AÇÃO LIVRE E AUTÔNOMA, CONTUDO, ELE SÓ PODE CHEGAR A ESSA CONDIÇÃO, NA QUAL O PASSO À MORAL É TORNADO POSSÍVEL, CASO TENHA PREVIAMENTE PROMOVIDO OS PROGRESSOS PRAGMÁTICOS NECESSÁRIOS A ESSA CONJUNTURA. DESSE MODO, AFIRMAMOS QUE OS PROGRESSOS DO ÂMBITO PRAGMÁTICO SÃO FUNDAMENTAIS PARA A MORALIZAÇÃO HUMANA, PORÉM, À PROPORÇÃO QUE OS HOMENS SE APROXIMAM CADA VEZ MAIS DELA, MENOS FORÇA ELES TÊM PARA IMPULSIONÁ-LOS NESSA DIREÇÃO, CABENDO, AO FIM, UNICAMENTE AO PRÓPRIO INDIVÍDUO REALIZÁ-LA.