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THEODOR ADORNO E O PROBLEMA DA (SEMI)FORMAÇÃO

Fábio Caires Correia

Autor
Fábio Caires Correia
Revista
Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
Edição
8 / 16
Ano
2016
DOI
10.36311/1984-8900.2016.v8.n16.09.p110
Páginas
110-126
Idioma
pt
2016Fábio Caires Correia. THEODOR ADORNO E O PROBLEMA DA (SEMI)FORMAÇÃO. Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia, v. 8, n. 16, p. 110-126, 2016.2

O projeto do esclarecimento (Aufklärung) era desencantar o mundo, substituir o “alegórico” por uma razão esclarecedora. Esse leitmotiv era fundamental para que o ser humano pudesse alcançar a sua autonomia e ter a coragem de usar o seu próprio entendimento (sapere aude). No entanto, este projeto fracassou. O esclarecimento, ao invés de conduzir o indivíduo à autonomia desembocou num processo de semiformação (Halbbildung) que provocou a perda da identidade e a reificação do individuo. O que hoje presenciamos, portanto, é resultado de um esgotamento da formação (Bildung). Nossa intenção, a partir de uma leitura da filosofia de Theodor W. Adorno é assinalar pontos de crítica ao atual sistema educacional que forma indivíduos para se submeterem passivamente ao processo de competitividade do mercado. A formação para a emancipação não é apenas um aparato ideológico, mas um desvelamento das condições do sujeito que é sujeitado, do sujeito que se sujeita e das possibilidades concretas doousar saber, ocultas na ordem social vigente. Cabe a educação, portanto, através da crítica a Halbbildung, demonstrar as contradições existentes na formação social efetiva, propiciando, assim, sua própria emancipação.